O Helicobacter pylori é uma bactéria que vive na parede do estômago e está por trás de boa parte dos casos de gastrite e úlcera. O que pode comer com H. pylori é quase tudo: não existe alimento que alimente a bactéria nem alimento que a elimine. O tratamento é feito com antibióticos associados a um protetor gástrico, em geral por 14 dias, e só o médico pode prescrever.
A alimentação entra com outro papel, que não é pequeno. Os antibióticos do esquema costumam causar enjoo, gosto metálico na boca, estufamento e diarreia, e muita gente abandona o tratamento na metade por causa disso. Abandonar é o pior desfecho, porque a bactéria sobrevive e fica mais resistente. Comer de um jeito que poupe o estômago nessas duas semanas é o que ajuda a chegar ao último comprimido.
Por isso a orientação abaixo é mais sobre conforto do que sobre proibição: refeições menores, preparações simples e pausa no álcool. Os cuidados se parecem com os do cardápio para gastrite e refluxo, com a diferença de que aqui existe prazo para acabar.
O que evitar durante o tratamento
| Item | Por que evitar |
|---|---|
| Álcool | É o item que mais importa. Irrita a mucosa do estômago, piora o enjoo e pode interagir com antibióticos usados em alguns esquemas, como o metronidazol. Pausa total até o fim do tratamento. |
| Fritura e refeição muito gordurosa | Retardam o esvaziamento do estômago e aumentam a náusea, que já é efeito comum dos remédios. |
| Pimenta e condimento forte, se houver dor | Não causam gastrite nem úlcera, mas costumam piorar a queimação em quem está com a mucosa inflamada. Vale suspender enquanto houver sintoma. |
| Café em jejum e em grande quantidade | Estimula a secreção de ácido. Muita gente tolera bem uma xícara junto com comida; em jejum costuma incomodar. |
| Anti-inflamatório por conta própria | Não é alimento, mas é o que mais agride o estômago nessa fase. Ibuprofeno, diclofenaco e aspirina só com orientação médica. |
Alimento por alimento
As perguntas abaixo são as mais buscadas por quem recebeu o diagnóstico. Elas valem para o período do tratamento, que é quando o estômago está mais sensível.
Quem tem H. pylori pode comer macarrão?
Pode. Macarrão é um alimento de fácil digestão e costuma ser bem tolerado durante o tratamento. O que decide é o molho: de tomate caseiro leve, alho e óleo com pouco azeite ou com frango desfiado, sem problema.
O que costuma pesar são os molhos gordurosos, como quatro queijos, branco com creme de leite e bolonhesa muito oleosa, além do macarrão instantâneo, que é frito e muito condimentado. Se o molho de tomate der queimação no seu caso, troque por legumes refogados enquanto durar o sintoma.
Quem tem H. pylori pode comer banana?
Pode, e é uma das frutas mais bem toleradas. A banana é pouco ácida, macia e costuma cair bem mesmo nos dias de enjoo. Maçã, pera, mamão e melão seguem o mesmo raciocínio.
Frutas cítricas, como laranja e abacaxi, não são proibidas e não pioram a infecção. Elas só devem sair se você perceber que aumentam a queimação, o que varia de pessoa para pessoa.
Quem tem H. pylori pode comer carne vermelha?
Pode. Carne vermelha magra, grelhada, assada ou cozida, não interfere no tratamento. O que vale evitar nessas semanas são os cortes gordos, o churrasco em grande quantidade e a carne frita, que demoram a sair do estômago.
Uma informação útil: o H. pylori pode reduzir a absorção de ferro e de vitamina B12, e alguns pacientes chegam ao diagnóstico com anemia. Nesses casos a carne ajuda, e não há motivo para cortá-la.
Quem tem H. pylori pode comer bife de fígado?
Pode. O fígado bovino é rico em ferro e em vitamina B12, justamente os nutrientes que a infecção costuma prejudicar. Preparado grelhado ou acebolado com pouco óleo, é bem tolerado pela maioria.
Uma porção por semana é suficiente. Quem tem colesterol alto, gota ou está grávida recebe orientação específica sobre vísceras, e aí vale conversar com quem acompanha o caso.
Quem tem H. pylori pode comer tapioca e pão integral?
Pode comer os dois. Tapioca, pão francês, pão integral, torrada e cuscuz são bem tolerados e ajudam nos dias em que o enjoo tira a vontade de comer. Não existe relação entre esses alimentos e a bactéria.
Se o pão integral com muita semente causar estufamento nesses dias, alterne com pão branco ou tapioca até o fim do tratamento. Recheio simples funciona melhor: ovo mexido, queijo branco ou frango.
Quem tem H. pylori pode comer tomate?
Pode, se não der queimação. O tomate é ácido e é gatilho de sintoma para parte das pessoas com gastrite, mas não para todas. Ele não piora a infecção nem atrapalha os remédios.
Teste a sua tolerância: tomate cru na salada costuma incomodar menos que molho concentrado. Se houver sintoma, suspenda durante o tratamento e volte depois.
Quem tem H. pylori pode comer amendoim?
Pode, em pequena quantidade. O amendoim é gorduroso e demora a digerir, então um punhado é melhor tolerado do que um pacote. Prefira o torrado sem sal e sem cobertura.
Nos dias de mais enjoo, alimentos secos e gordurosos costumam pesar. Castanhas e amendoim podem ficar para depois, sem prejuízo nenhum.
Quem tem H. pylori pode tomar café e leite?
Pode, com ajuste. Uma xícara de café junto com o café da manhã é tolerada pela maioria; em jejum ou em várias xícaras ao dia, costuma aumentar a queimação. O leite pode ser consumido, mas não trata o estômago.
A crença de que leite alivia gastrite é antiga e enganosa: o alívio dura minutos e depois a produção de ácido aumenta. Iogurte natural e leite fermentado são boas opções nessa fase, e há estudos mostrando que probióticos reduzem a diarreia causada pelos antibióticos.
O que comer no café da manhã com H. pylori?
Algo simples e sem gordura em excesso: pão ou tapioca com ovo mexido ou queijo branco, uma fruta pouco ácida, como banana ou mamão, e café com leite ou chá. Evite o café puro em jejum.
Como os remédios costumam ser tomados de manhã e à noite, não pule o café da manhã. Tomar antibiótico de estômago vazio é a principal causa de enjoo forte, a menos que a bula ou o médico orientem o contrário.
Depois do tratamento, pode comer normal?
Pode. Terminado o esquema de antibióticos, não existe dieta de manutenção nem lista de proibidos permanente. A alimentação volta ao normal, e o que tiver sido suspenso por causar sintoma, como café, pimenta ou tomate, pode ser reintroduzido aos poucos, observando a resposta.
O que não pode faltar é o controle de cura. A confirmação de que a bactéria foi eliminada é feita com teste respiratório ou exame de fezes, pelo menos quatro semanas depois do fim dos antibióticos. Sem esse exame não dá para saber se o tratamento funcionou, porque os sintomas melhoram mesmo quando a bactéria continua lá.
Se a gastrite persistir depois da cura confirmada, a investigação segue por outro caminho, e os cuidados passam a ser os de longo prazo: regularidade de horários, menos álcool e menos anti-inflamatório. Para o dia a dia, as respostas por alimento estão na página refluxo e gastrite: o que pode comer.