Infecção por Helicobacter pylori

H. pylori: o que pode comer durante e depois do tratamento

Nenhum alimento mata a bactéria; a dieta do tratamento existe para você tomar o antibiótico até o último dia.

Juliana Borges, nutricionista CRN1-18734atualizado em

Tigela branca com sopa cremosa de frango e salsinha picada

O Helicobacter pylori é uma bactéria que vive na parede do estômago e está por trás de boa parte dos casos de gastrite e úlcera. O que pode comer com H. pylori é quase tudo: não existe alimento que alimente a bactéria nem alimento que a elimine. O tratamento é feito com antibióticos associados a um protetor gástrico, em geral por 14 dias, e só o médico pode prescrever.

A alimentação entra com outro papel, que não é pequeno. Os antibióticos do esquema costumam causar enjoo, gosto metálico na boca, estufamento e diarreia, e muita gente abandona o tratamento na metade por causa disso. Abandonar é o pior desfecho, porque a bactéria sobrevive e fica mais resistente. Comer de um jeito que poupe o estômago nessas duas semanas é o que ajuda a chegar ao último comprimido.

Por isso a orientação abaixo é mais sobre conforto do que sobre proibição: refeições menores, preparações simples e pausa no álcool. Os cuidados se parecem com os do cardápio para gastrite e refluxo, com a diferença de que aqui existe prazo para acabar.

O que evitar durante o tratamento

Em ordem de importância nos 14 dias de antibiótico.
Item Por que evitar
ÁlcoolÉ o item que mais importa. Irrita a mucosa do estômago, piora o enjoo e pode interagir com antibióticos usados em alguns esquemas, como o metronidazol. Pausa total até o fim do tratamento.
Fritura e refeição muito gordurosaRetardam o esvaziamento do estômago e aumentam a náusea, que já é efeito comum dos remédios.
Pimenta e condimento forte, se houver dorNão causam gastrite nem úlcera, mas costumam piorar a queimação em quem está com a mucosa inflamada. Vale suspender enquanto houver sintoma.
Café em jejum e em grande quantidadeEstimula a secreção de ácido. Muita gente tolera bem uma xícara junto com comida; em jejum costuma incomodar.
Anti-inflamatório por conta própriaNão é alimento, mas é o que mais agride o estômago nessa fase. Ibuprofeno, diclofenaco e aspirina só com orientação médica.

Alimento por alimento

As perguntas abaixo são as mais buscadas por quem recebeu o diagnóstico. Elas valem para o período do tratamento, que é quando o estômago está mais sensível.

Quem tem H. pylori pode comer macarrão?

Pode. Macarrão é um alimento de fácil digestão e costuma ser bem tolerado durante o tratamento. O que decide é o molho: de tomate caseiro leve, alho e óleo com pouco azeite ou com frango desfiado, sem problema.

O que costuma pesar são os molhos gordurosos, como quatro queijos, branco com creme de leite e bolonhesa muito oleosa, além do macarrão instantâneo, que é frito e muito condimentado. Se o molho de tomate der queimação no seu caso, troque por legumes refogados enquanto durar o sintoma.

Quem tem H. pylori pode comer banana?

Pode, e é uma das frutas mais bem toleradas. A banana é pouco ácida, macia e costuma cair bem mesmo nos dias de enjoo. Maçã, pera, mamão e melão seguem o mesmo raciocínio.

Frutas cítricas, como laranja e abacaxi, não são proibidas e não pioram a infecção. Elas só devem sair se você perceber que aumentam a queimação, o que varia de pessoa para pessoa.

Quem tem H. pylori pode comer carne vermelha?

Pode. Carne vermelha magra, grelhada, assada ou cozida, não interfere no tratamento. O que vale evitar nessas semanas são os cortes gordos, o churrasco em grande quantidade e a carne frita, que demoram a sair do estômago.

Uma informação útil: o H. pylori pode reduzir a absorção de ferro e de vitamina B12, e alguns pacientes chegam ao diagnóstico com anemia. Nesses casos a carne ajuda, e não há motivo para cortá-la.

Quem tem H. pylori pode comer bife de fígado?

Pode. O fígado bovino é rico em ferro e em vitamina B12, justamente os nutrientes que a infecção costuma prejudicar. Preparado grelhado ou acebolado com pouco óleo, é bem tolerado pela maioria.

Uma porção por semana é suficiente. Quem tem colesterol alto, gota ou está grávida recebe orientação específica sobre vísceras, e aí vale conversar com quem acompanha o caso.

Quem tem H. pylori pode comer tapioca e pão integral?

Pode comer os dois. Tapioca, pão francês, pão integral, torrada e cuscuz são bem tolerados e ajudam nos dias em que o enjoo tira a vontade de comer. Não existe relação entre esses alimentos e a bactéria.

Se o pão integral com muita semente causar estufamento nesses dias, alterne com pão branco ou tapioca até o fim do tratamento. Recheio simples funciona melhor: ovo mexido, queijo branco ou frango.

Quem tem H. pylori pode comer tomate?

Pode, se não der queimação. O tomate é ácido e é gatilho de sintoma para parte das pessoas com gastrite, mas não para todas. Ele não piora a infecção nem atrapalha os remédios.

Teste a sua tolerância: tomate cru na salada costuma incomodar menos que molho concentrado. Se houver sintoma, suspenda durante o tratamento e volte depois.

Quem tem H. pylori pode comer amendoim?

Pode, em pequena quantidade. O amendoim é gorduroso e demora a digerir, então um punhado é melhor tolerado do que um pacote. Prefira o torrado sem sal e sem cobertura.

Nos dias de mais enjoo, alimentos secos e gordurosos costumam pesar. Castanhas e amendoim podem ficar para depois, sem prejuízo nenhum.

Quem tem H. pylori pode tomar café e leite?

Pode, com ajuste. Uma xícara de café junto com o café da manhã é tolerada pela maioria; em jejum ou em várias xícaras ao dia, costuma aumentar a queimação. O leite pode ser consumido, mas não trata o estômago.

A crença de que leite alivia gastrite é antiga e enganosa: o alívio dura minutos e depois a produção de ácido aumenta. Iogurte natural e leite fermentado são boas opções nessa fase, e há estudos mostrando que probióticos reduzem a diarreia causada pelos antibióticos.

O que comer no café da manhã com H. pylori?

Algo simples e sem gordura em excesso: pão ou tapioca com ovo mexido ou queijo branco, uma fruta pouco ácida, como banana ou mamão, e café com leite ou chá. Evite o café puro em jejum.

Como os remédios costumam ser tomados de manhã e à noite, não pule o café da manhã. Tomar antibiótico de estômago vazio é a principal causa de enjoo forte, a menos que a bula ou o médico orientem o contrário.

Depois do tratamento, pode comer normal?

Pode. Terminado o esquema de antibióticos, não existe dieta de manutenção nem lista de proibidos permanente. A alimentação volta ao normal, e o que tiver sido suspenso por causar sintoma, como café, pimenta ou tomate, pode ser reintroduzido aos poucos, observando a resposta.

O que não pode faltar é o controle de cura. A confirmação de que a bactéria foi eliminada é feita com teste respiratório ou exame de fezes, pelo menos quatro semanas depois do fim dos antibióticos. Sem esse exame não dá para saber se o tratamento funcionou, porque os sintomas melhoram mesmo quando a bactéria continua lá.

Se a gastrite persistir depois da cura confirmada, a investigação segue por outro caminho, e os cuidados passam a ser os de longo prazo: regularidade de horários, menos álcool e menos anti-inflamatório. Para o dia a dia, as respostas por alimento estão na página refluxo e gastrite: o que pode comer.

Perguntas frequentes

Não. Brócolis, própolis, alho, chá verde e mel já foram estudados e nenhum elimina a bactéria. Alguns reduzem um pouco a quantidade de bactérias enquanto são consumidos, mas o efeito some quando param. Só o tratamento com antibióticos erradica o H. pylori.

Não existe uma dieta específica. Durante o tratamento, a orientação é comer em porções menores, preferir preparações cozidas, assadas e grelhadas, suspender o álcool e reduzir fritura, pimenta e café em jejum. Depois da cura, a alimentação volta ao normal.

Ajuda a tolerar. Estudos mostram que probióticos reduzem efeitos colaterais dos antibióticos, principalmente a diarreia, o que aumenta a chance de completar o tratamento. Eles não substituem os remédios e não eliminam a bactéria sozinhos.

Pode causar perda de peso de forma indireta, pela dor, pelo enjoo e pela falta de apetite. Mas emagrecimento sem explicação, vômitos repetidos, fezes escuras ou dificuldade para engolir são sinais de alerta, que pedem avaliação médica rápida e não ajuste de dieta.

A transmissão acontece de pessoa para pessoa, principalmente na infância, por saliva e por água ou alimento contaminado. Lavar as mãos, beber água tratada e higienizar bem frutas e verduras são as medidas de prevenção. A maior parte dos adultos infectados pegou a bactéria quando criança.

Depois de terminar os antibióticos, sim, com moderação. Durante o tratamento a pausa deve ser completa: o álcool irrita o estômago, piora os efeitos colaterais e interage com alguns antibióticos usados em esquemas alternativos.

Fontes