Lista de alimentos do nutricionista, por grupo, para montar o prato

A lista que sai da consulta, organizada por função no prato, com a porção de referência e o que cada grupo faz pelo seu dia.

Juliana Borges, nutricionista CRN1-18734atualizado em

Alimentos frescos separados por grupo sobre mesa de linho: ovos, arroz, feijão, folhas, frutas e azeite

A lista de sugestão de alimentos que um nutricionista entrega no fim da consulta não é uma lista de compras nem uma lista de permitidos e proibidos. É uma tabela de equivalências: dentro de cada grupo, os alimentos cumprem a mesma função no prato e podem ser trocados entre si. Quem entende isso monta a própria refeição em qualquer lugar, sem depender de cardápio pronto.

É essa lista que está abaixo, com os alimentos mais comuns no Brasil, a porção de referência de cada um e o papel do grupo. As porções valem para um adulto de 60 a 80 kg com rotina comum e servem como ponto de partida. Quem treina, pesa mais, está grávida ou tem uma doença que altera a alimentação precisa de porção calculada, e essa conta é individual.

A regra de montagem é uma só e vale para o almoço, o jantar e, com adaptação, para o café da manhã: uma fonte de proteína, uma de carboidrato, verdura ou legume em volume, e gordura de boa qualidade em quantidade pequena. Feijão e leguminosas contam meio para cada lado.

Proteínas: a base de toda refeição

É o grupo que mais sacia, o que mantém músculo e o que mais falta no prato de quem come mal. A porção de referência fica entre 100 e 150 g de carne, peixe ou frango por refeição, ou o equivalente em ovos, laticínios e leguminosas.

Fontes de proteína, com a porção de referência por refeição.
Alimento Porção e observação
Frango, peru120 a 150 g cozidos, sem pele. O corte com mais proteína por real do mercado.
OvoDois a três ovos. Inteiro, com gema: a proteína e as vitaminas estão nas duas partes.
Peixes: sardinha, tilápia, atum, salmão120 a 150 g. Sardinha e atum em lata são baratos e contam; preferir os conservados em água.
Carne bovina magra: patinho, coxão mole, músculo, acém100 a 150 g. Ferro e vitamina B12 em quantidade que nenhuma fonte vegetal iguala.
Carne suína magra: lombo, pernil sem gordura100 a 150 g. Mais magra do que a fama; o problema do porco é o preparo, não o animal.
Feijão, lentilha, grão de bico, ervilha, sojaUma a duas conchas. Proteína e carboidrato juntos, com fibra que segura a fome.
Tofu e proteína texturizada de soja150 g de tofu firme ou 50 g de proteína texturizada seca. As fontes vegetais mais concentradas.
Queijo branco, cottage, ricota, iogurte natural, leiteComplementos, não fonte principal: duas fatias de queijo ou um pote de iogurte somam 10 a 15 g de proteína.

Carboidratos: energia com fibra

Carboidrato não engorda por si; engorda o excesso e a forma. A lista prioriza fontes com fibra, que liberam energia devagar e mantêm a glicemia estável. A porção de referência é de quatro a seis colheres de sopa de arroz cozido ou o equivalente.

Fontes de carboidrato, com a porção que equivale a quatro colheres de arroz.
Alimento Porção equivalente
Arroz branco ou integralQuatro a seis colheres de sopa. O integral tem mais fibra; o branco é mais fácil de digerir. Os dois servem.
Batata, batata-doce, mandioca, inhame, caráUma unidade média ou 150 g cozidos. Raízes brasileiras, baratas e com mais saciedade que o pão.
Macarrão, de preferência integral ou de grãoDuas a três colheres de sopa cozidas, medidas antes do molho.
Pão francês, pão integral, pão sírioUma unidade ou duas fatias. Integral de verdade tem farinha integral como primeiro ingrediente no rótulo.
Aveia, quinoa, cuscuz de milho, tapiocaDuas a três colheres de sopa secas, ou uma tapioca pequena. Aveia tem a vantagem da fibra solúvel.
Milho, abóbora, beterrabaMeia espiga, uma fatia grossa ou uma unidade média. Legumes que contam como carboidrato pela quantidade de amido ou açúcar.

Verduras e legumes: volume, fibra e quase nenhuma caloria

É o grupo que enche o prato sem encher a conta, e o que mais protege intestino, pressão e glicemia. Não tem porção máxima. A referência mínima é metade do prato no almoço e no jantar, entre cru e cozido.

Verduras e legumes, sem limite de porção.
Grupo Exemplos e uso
FolhasAlface, rúcula, agrião, couve, espinafre, acelga, repolho. Cruas na salada ou refogadas; a couve refogada rende mais nutriente por porção que a crua.
Legumes de cozinharAbobrinha, chuchu, berinjela, vagem, quiabo, brócolis, couve-flor, cenoura. Vapor, refogado ou assado, com pouco óleo.
Legumes de saladaTomate, pepino, cenoura ralada, beterraba cozida, rabanete, pimentão. Frescos, com limão, vinagre e ervas.
Temperos frescosCebola, alho, cheiro-verde, coentro, manjericão, gengibre, pimenta. Substituem o tempero pronto, que é sal com realçador.
CogumelosChampignon, shimeji, shiitake. Volume, sabor e alguma proteína; ótimos para reduzir carne no prato sem perder o gosto.

Gorduras: pouca quantidade, boa qualidade

Gordura é o grupo mais calórico por grama, então a porção é pequena, e ao mesmo tempo o que dá sabor, saciedade e absorção de vitaminas. Uma colher de sopa de azeite por refeição, ou o equivalente, resolve.

Fontes de gordura, com a porção que equivale a uma colher de azeite.
Alimento Porção equivalente
Azeite de oliva extravirgemUma colher de sopa no prato pronto ou na salada. Para cozinhar em fogo alto, óleo comum em pouca quantidade cumpre melhor o papel.
AbacateDuas colheres de sopa ou um quarto de unidade. Vale como gordura, não como fruta, na conta do dia.
Castanha-do-pará, castanha de caju, amendoim, nozes, amêndoasUm punhado pequeno, o que cabe fechado na mão, ou uma colher de pasta de amendoim sem açúcar.
Sementes: chia, linhaça, gergelim, girassolUma colher de sopa. Chia e linhaça precisam ser hidratadas ou trituradas para aproveitar.
Manteiga e queijos gordosUma ponta de faca ou uma fatia fina. Não são vilões, são concentrados: a porção é o que os mantém no lugar.
Coco e leite de cocoDuas colheres. Gordura saturada em quantidade; usar como tempero, não como base.

Frutas: o doce que vem com fibra

Duas a três porções por dia, inteiras, de preferência com casca quando ela é comestível. Suco não substitui, porque perde a fibra e concentra o açúcar de três frutas em um copo. A fruta funciona melhor no lanche, junto de uma fonte de proteína, do que sozinha.

Frutas, com a porção de referência.
Fruta Porção e quando faz sentido
Banana, maçã, pera, laranja, tangerina, goiabaUma unidade média. As mais práticas para levar e as mais baratas na estação.
Mamão, melão, melancia, abacaxiUma fatia grossa ou uma xícara picada. Muita água, boa para o café da manhã e para o calor.
Morango, uva, amora, jabuticaba, acerolaUma xícara. Ricas em compostos antioxidantes; congeladas mantêm o valor e custam menos fora da estação.
Manga, caqui, uva, banana-nanicaMeia unidade grande ou uma pequena. Mais doces, então a porção é menor, mas continuam sendo fruta, não doce.
Frutas secas: damasco, ameixa, uva-passa, tâmaraDuas a três unidades. Açúcar concentrado; boas para antes do treino, ruins para beliscar do pacote.

Laticínios e bebidas: o que completa o dia

Laticínios entram como complemento de proteína e cálcio, em uma a três porções por dia, conforme a tolerância. Entre as bebidas, a lista é curta porque quase tudo que não é água, café ou chá sem açúcar entra na conta como doce líquido.

Laticínios e bebidas de rotina.
Alimento Porção e observação
Iogurte natural integral ou desnatadoUm pote de 170 g. Sem açúcar, sem sabor artificial: o de dois ingredientes, leite e fermento, é o certo.
LeiteUm copo de 200 ml. Integral ou desnatado é escolha de calorias, não de saúde; quem tem intolerância usa o sem lactose.
Queijo branco, minas frescal, cottage, ricotaDuas fatias ou três colheres. Os mais magros e com mais proteína por caloria.
ÁguaDe 30 a 35 ml por quilo de peso por dia, mais em dia de calor ou treino. É a única bebida sem porção máxima.
Café e chá sem açúcarAté três a quatro xícaras de café por dia para a maioria dos adultos. Adoçante é escolha, não obrigação: a maioria se acostuma sem em duas semanas.
Água com gás, água saborizada com frutaLivres. Resolvem a vontade de refrigerante sem o açúcar.

Perguntas frequentes

Serve como base. Uma lista de compras saudável é uma linha de cada grupo desta página: duas ou três proteínas, duas fontes de carboidrato, quatro ou cinco verduras e legumes, três frutas, uma gordura e um laticínio. Comprar por grupo, em vez de por receita, é o que garante prato completo a semana inteira.

Ultraprocessados: refrigerante, salgadinho, biscoito recheado, embutido, macarrão instantâneo, nugget, barrinha, cereal matinal açucarado. Não por serem proibidos, e sim porque não cumprem função de grupo nenhum: não são proteína, nem carboidrato com fibra, nem gordura de qualidade. Ocupam o lugar de comida sem entregar o que ela entrega.

Porque ninguém pesa comida no dia a dia, e colher, fatia e unidade são o que se usa de verdade no prato. As porções de referência já correspondem a faixas de calorias parecidas dentro de cada grupo, e é isso que permite a troca. Quem precisa de precisão maior, como em diabetes ou em preparação esportiva, recebe a versão em gramas na consulta.

Só os que passam no teste do rótulo: farinha integral como primeiro ingrediente, sem açúcar adicionado, lista de ingredientes curta. A maioria dos produtos com esses nomes na embalagem é ultraprocessado com uma palavra bonita na frente. O pão integral de padaria costuma ser melhor que o de pacote com selo.

Não existe número certo. Três refeições completas funcionam para muita gente; outras precisam de lanches para não chegar com fome demais na próxima refeição. O que define é a rotina e a fome de cada um, não uma regra de intervalo. O que importa é que cada refeição, seja qual for o número, tenha proteína e verdura.

Para os dois: os alimentos são os mesmos, o que muda é a porção. Quem quer emagrecer fica na referência ou um pouco abaixo no carboidrato e na gordura; quem quer ganhar massa aumenta a proteína e o carboidrato. A montagem do prato, com os quatro grupos, é a mesma nos dois casos.

Fontes